No dia 15 de julho celebramos os 150 anos de nossa presença na Holanda. Publicamos aqui a homilia proferida pelo Padre Jansen, na qual ele retoma elementos significativos desta história.
Sermão do Padre Jansen, no dia 15.07.2026, no dia da festa jubilar
Neste dia, nesta hora, o passado flui de volta ao presente...
Em abril de 1841, o jovem sacerdote Eduardo Michelis foi tocado pela miséria física e espiritual das crianças negligenciadas em St. Mauritz. Em 3 de novembro de 1842, ocorreu a fundação da Congregação das Irmãs da Divina Providência. Esta congregação se espalhou pelo mundo até os dias de hoje, contando inclusive com uma comunidade na ilha do Príncipe, na costa ocidental da África.
Neste dia, nesta hora, o passado flui de volta ao presente...
Em 11 de fevereiro de 1876, sob a pressão e influência da Kulturkampf na Alemanha, um grupo de irmãs veio para a Holanda. Elas se estabeleceram primeiro em Blerick e, mais tarde, em Steyl. E pode ter sido uma coincidência: aqui em Steyl, onde hoje estamos reunidos, as irmãs da Divina Providência cuidavam, na época, dos afazeres domésticos dos padres e irmãos da SVD.
Na Holanda, a congregação viveu um grande florescimento. Inúmeros conventos espalhados por todo o país dedicavam-se a escolas, hospitais, cuidados com pessoas com deficiência, enfermagem comunitária e tarefas domésticas.
Neste dia, nesta hora, o passado flui de volta ao presente...
Há setenta anos, Irmã Agnes uniu a sua vida à congregação, atuando na área da educação.
Neste dia, nesta hora, o passado flui de volta ao presente...
No ano de 1948, entrei no jardim de infância em Helden com a irmã Irene. Até o dia de hoje, guardo uma lembrança calorosa daquele ano. Desde o primeiro dia, me senti em casa com ela. Sua alegria era contagiante e ela tinha um temperamento lúdico.
Em 1969, trabalhei por alguns meses como vigário no centro da cidade de Venlo, na paróquia de São Martinho. Certa tarde, a campainha tocou. Na porta estava uma freira que reconheci imediatamente: a irmã Irene! Com as mãos para o alto, ela exclamou: "Meu menino do jardim de infância!"
E, durante a guerra, minha mãe foi gravemente ferida pelo impacto de uma granada. Ela foi internada no hospital e, mais tarde, pôde fazer sua reabilitação no convento com as irmãs da Divina Providência.
A enfermeira comunitária, Irmã Carissima, também era muito próxima da nossa família. Ela andava numa pequena moto, o que era algo muito incomum na época. Temos muito a agradecer a elas.
Hoje estamos reunidos para recordar e celebrar como Deus proveu por meio das irmãs da Divina Providência.
Podemos olhar para trás, para uma história marcante. Houve muitos altos, mas também baixos. Os desdobramentos e mudanças políticas e sociais afetaram a tudo e a todos.
As mudanças na Igreja também não passaram despercebidas pela congregação. A congregação permaneceu ativa dentro das fronteiras do país, mas também muito além delas, em outros países e continentes.
Por meio de tudo isso, a inspiração de Eduardo Michelis correu como um fio condutor: atenção e cuidado com as pessoas vulneráveis. Encontrar Deus significa estar presente para as pessoas necessitadas, oferecer ajuda onde for preciso e dar qualidade de vida às pessoas. Isso pode ser chamado de “Providência”: fazer acontecer e realizar a encarnação de Deus.
E essa encarnação de Deus nos foi aproximada e tornada visível na vida de Jesus. Sob a orientação do Espírito Santo, podemos dar continuidade a essa encarnação.
A Santíssima Trindade é a base e o fundamento sobre o qual a nossa fé está construída. Esta é a razão pela qual podemos crer e contar com a Providência de Deus, e por que, a partir dessa fé, tentamos sempre dar respostas às necessidades do tempo. Exatamente como Eduardo Michelis fez, e incontáveis mulheres depois dele, tendo São Vicente de Paulo como exemplo e protetor.
Neste dia, nesta hora, o passado flui de volta ao presente...
Nós agradecemos e relembramos. No entanto, recordar não é parar no tempo apenas na memória. Recordar é olhar para frente e continuar crendo na Providência de Deus. As palavras do fundador continuam atuais: trazer a salvação às pessoas e, assim, glorificar a Deus. Assim foi no início, assim é no agora e assim será para sempre.
Durante cento e cinquenta anos, as irmãs da Divina Providência tornaram isso visível na Holanda, mas também mundialmente, até na Ilha Príncipe.
A Divina Providência não conhece fronteiras; ela sempre rompe em lugares inesperados e em momentos inesperados. Geralmente, no meio do sofrimento humano, pois ali estão os momentos para curar e honrar a Deus no serviço ao próximo.
Nesta hora, neste dia, o passado flui de volta ao presente...
Em oração, queremos agradecer a Deus pelo que foi; em oração, celebrar o que é; e, em oração, pedir a bênção para o que está por vir: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
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